A ideia de que criatividade é um dom com o qual se nasce, ou não, é um dos equívocos mais comuns sobre o tema. Ela serve como desculpa para não tentar e como filtro que separa as pessoas em dois grupos imaginários: os criativos e os que supostamente não seriam.
A psicóloga Teresa Amabile, da Harvard Business School, passou décadas estudando a criatividade. Seus estudos mostram que ela depende da combinação de três fatores: conhecimento sobre a área em que você atua, maneiras flexíveis de pensar e a motivação para fazer algo porque aquilo realmente interessa. Nenhum desses fatores é fixo. Todos podem ser desenvolvidos.
Do ponto de vista da neurociência, o que chamamos de insight criativo não é um momento mágico que aparece do nada. Ele surge quando diferentes sistemas do cérebro trabalham juntos. Um deles está ligado ao devaneio e à imaginação. É o sistema que entra em ação quando a mente vaga e novas ideias começam a surgir. Outro está ligado ao foco e à análise. É ele que avalia essas ideias e decide quais fazem sentido. Entre os dois atua um terceiro sistema, que ajuda o cérebro a alternar entre imaginar e avaliar.
— Mihaly Csikszentmihalyi
A implicação prática é simples. Se criatividade é um processo, ela pode ser treinada. Os hábitos que você cultiva, os ambientes que frequenta e os métodos que aprende moldam diretamente sua capacidade de gerar novas ideias.
Antes de qualquer técnica, o mais importante é reconhecer que você pode ser criativo. A identidade que assumimos influencia diretamente os comportamentos que adotamos. Quem repete para si mesmo “não sou criativo” acaba evitando justamente as situações que poderiam desenvolver essa habilidade.