Um dos maiores equívocos sobre criatividade é esperar que a boa ideia apareça de forma direta e imediata. Na prática, ela costuma surgir depois de muitas tentativas. A capacidade de gerar volume de ideias é, por si só, uma habilidade, e existem métodos que ajudam nesse processo.
O psicólogo Joy Paul Guilford descreveu dois modos de pensamento envolvidos na criatividade. O pensamento divergente gera possibilidades. O pensamento convergente avalia e seleciona as melhores. O erro mais comum é ativar o modo crítico cedo demais, julgando as ideias antes que elas tenham tido tempo de surgir.
Brainstorming — Separe claramente o momento de criar do momento de avaliar. Na fase de geração, quantidade importa mais que qualidade. Ideias incompletas ou inusitadas também entram na lista. Muitas vezes são elas que levam às melhores soluções.
Pensamento lateral — Mude o ângulo do problema. Quando o caminho mais óbvio não funciona, vale tentar o oposto, inverter a pergunta ou buscar analogias em áreas completamente diferentes.
SCAMPER — Método que estrutura o processo de exploração. Trata-se de um conjunto de perguntas que convida a modificar uma ideia de diferentes maneiras: substituir algo, combinar elementos, adaptar, modificar, imaginar novos usos, eliminar partes ou reorganizar o conjunto. Cada variação abre novas possibilidades.
"E se...?" — Perguntas hipotéticas ajudam a ampliar o campo de ideias. “E se não houvesse orçamento?” “E se o usuário fosse uma criança?” “E se o problema fosse exatamente o oposto do que parece?” Suspender temporariamente as restrições do mundo real pode revelar soluções inesperadas.
Vale uma ressalva sobre brainstorming em grupo. Estudos mostram que a presença de outras pessoas pode inibir a geração de ideias, seja por conformidade social ou pelo receio de julgamento. Por isso, muitas equipes adotam uma variação chamada brainwriting: cada pessoa escreve suas ideias individualmente, em silêncio, antes de compartilhá-las com o grupo.